Temos o orgulho de compartilhar a publicação e apresentação de um novo artigo científico na ICASA 2026 (International Conference on Advances in AI and Sustainability), realizada esta semana na University of East London.
O trabalho representa um importante esforço de pesquisa voltado a um dos desafios ambientais mais persistentes da atualidade: a estagnação das taxas globais de reciclagem de plástico, que ainda permanecem abaixo de 10%.
O artigo, intitulado “Optimizing the Plastic Recycling Chain in Smart Cities: A Quantitative Approach Using YOLOv8 and Smart Contracts”, apresenta uma abordagem inovadora para tornar a reciclagem mais eficiente, automatizada e economicamente atrativa para os cidadãos.
O desafio
Os sistemas tradicionais de reciclagem enfrentam dois grandes obstáculos: a ineficiência logística na coleta dos resíduos e a ausência de incentivos tangíveis e imediatos para a participação da população. Para que cidades inteligentes sejam verdadeiramente sustentáveis, a reciclagem precisa ser simples, acessível e recompensadora.
A solução proposta
A pesquisa desenvolveu uma estrutura ciberfísica inteligente que integra Inteligência Artificial, Visão Computacional e Blockchain para automatizar e incentivar o descarte correto de resíduos plásticos.
Entre os principais resultados destacam-se:
- Visão Computacional Avançada: utilização do modelo YOLOv8n treinado com dados personalizados, capaz de analisar garrafas plásticas em sete classes distintas, alcançando 88,30% de mAP@0,5.
- Sistema de Recompensas Baseado em Tokens: geração de incentivos graduais ao longo de toda a cadeia de reciclagem, desde a coleta até o processamento final.
- Contratos Inteligentes em Blockchain: infraestrutura capaz de viabilizar economicamente microrecompensas em larga escala.
- Viabilidade Econômica Comprovada: estações de reverse vending alcançam o ponto de equilíbrio com aproximadamente 200 depósitos diários, abaixo da capacidade operacional estimada de 500 depósitos por dia.
Impacto para as cidades inteligentes
A pesquisa demonstra como a combinação entre Inteligência Artificial e Blockchain pode transformar resíduos plásticos em valor digital imediato, criando ecossistemas urbanos de reciclagem mais eficientes, escaláveis e financeiramente sustentáveis.
A proposta contribui para a construção de cidades inteligentes orientadas por dados, nas quais a sustentabilidade é impulsionada não apenas por conscientização, mas também por mecanismos tecnológicos de incentivo e rastreabilidade.
Reconhecimento
Parabenizamos a professora Claudia Jacy Barenco Abbas pela liderança da pesquisa e registramos um agradecimento especial aos estudantes Ana Paula Nobrega, Lucas Licio e Leonardo Cortes, cujo trabalho e dedicação foram fundamentais para dar vida a este sistema ciberfísico.

